Tuesday, 3 March 2015

Almoço mexicano

Nós decidimos tentar perder um pouco de peso antes do Natal e tivemos uma consulta com uma nutricionista para nos dar algumas dicas de alimentação correta. Isso foi uma péssima ideia pelo aspecto de tentar perder peso e é claro que não funcionou. Durante o Natal visitamos nossa família na Finlândia e não fizemos nada mais do que comer e beber. Mas agora depois de Ano Novo, Carnaval e todas outras desculpas estou pronta para começar a vida saudável de novo.
A nutricionista me sugeriu trazer mais proteína para minha dieta a qual tem muitos carboidratos. Sou pesceteriana (como peixe/ frutos do mar/ leite/ ovos, mas não carne ou frango) e por causa disso minhas fontes de proteína são mais limitadas comparando com pessoas quem comem tudo.

Eu gosto de feijões, que são uma boa fonte de proteína, mas mesmo depois de tantos anos sem carne, não conheço muitas receitas para cozinhar feijões. Este é o meu projeto para o futuro imediato. Aprender a cozinhar mais feijões.

Eu fiz um ano de intercambio no Texas, nos Estados Unidos, quando era adolescente. Lá aprendi a comer comida Tex Mex e feijões como refried beans (feijão frito) e chili. Na Finlândia não temos tradição de comer feijões e a única coisa que eu conhecia antes do intercambio foram os feijões no molho de tomate de Heinz. Minha inspiração pelo meu almoço mexicano foi nessa época. Talvez minha receita não seja mexicana original mas é gostosa mesmo assim. Também, ainda que esteja tentando perder um pouco de peso, essa não é uma receita de dieta. É comida normal.
Feijão frito
250gr feijão manteiga
azeite de oliva
2 cebolas
2 c. d. chá de cominho
½ c. d. chá de páprica picante
3-4 dentes de alho
6 tomates secos
sal da gosto

Salada de tomates
1 tomate grande maduro
10 tomates cereja
suco de ½ ou 1 limão
azeite de oliva
sal da gosto
1 ramo de coentro

Para servir:
alface americano
tortilhas ou pitas árabes

Deixe os feijões na água durante uma noite e depois cozinhe até ficarem macios. Coloque os tomates secos em um pouco d’água ou líquido dos feijões e deixe de molho. Derrame azeite de oliva numa panela. Pique as cebolas em pedaços pequenos. Coloque-as na panela e deixe cozinhar até ficarem transparentes. Adicione cominho, páprica e alho. Cozinhe por um pouco mais de tempo. Adicione os tomates secos hidratados e os feijões cozinhados (sem líquido). Deixe cozinhar por um pouco de tempo para os sabores misturarem. Coloque a mistura num processador de alimentos para amassar os feijões.

Ao mesmo tempo, prepare a salada de tomates. Pique todos os ingredientes em pedaços pequenos e misture numa tigela.

Para servir, coloque feijão frito em cima de uma tortilha ou pita árabe. Adicione salada de tomate e alface americano. Enrole a pita e estará pronto para comer.

Observações

- Quando você cozinha os feijões faz sentido cozinhar o pacote todo. Use só a metade para a comida e coloque o resto em potes plásticos na geladeira para usar no futuro.


- Pode usar o feijão que você gosta: feijão preto, mulato, vermelho etc. Eu gosto de feijão manteiga para isso.

Monday, 23 February 2015

Celebração da segunda-feira limpa Grega

Hoje é primeira segunda-feira de jejum pelos Ortodoxos, ou como os Gregos falam “kathari deytera” ou a segunda-feira limpa. É uma celebração quando as famílias saem para os parques e as montanhas e fazem piquenique e empinam pipas. Hoje as comidas nas mesas são geralmente vegetarianas ou com frutos do mar. Hoje você não come carne, ovos, leite ou peixe. 
Para nós, aqui no Brasil, hoje não é dia de festas mas decidimos celebrar um pouquinho do jeito tradicional Grego mas abrasileirado. Tivemos moqueca de camarão que foi sobra do jantar de ontem da Bira (um restaurante bem legal na Guaratiba especializado em Moqueca). Ingredientes da Moqueca são todos aceitáveis durante segunda-feira limpa. Também fiz um doce bem tradicional Grego chamado Halva que parece uma mistura de pudim e torta, feito com semolina, nozes, canela etc.  

Na verdade, tem dois tipos de Halva. Um que é feito de gergelim moído e outro que é feito usando semolina. Eu não sou muito fã de Halva de gergelim mas gosto bastante de Halva de semolina. Geralmente a Halva básica é feita mais ou menos mesmo jeito. O que muda nas receitas são ingredientes com sabor. Pode colocar nozes ou amêndoas e pode usar suco das frutas cítricas (usualmente limão siciliano ou laranja). Achei essa receita de Halva do blog de Oliveology (uma empresa pequena com maravilhosos azeites de Oliva de altíssima qualidade, o blog em ingles). A única diferença é que eu usei limão ao invés de limão siciliano. 
Tradicional Halva Grega 
(uma fôrma de torta)
 
4 xícaras de água 
3 x. de açúcar 
2 x. de semolina 
1 x. de azeite de oliva 
2 paus de canela 
3 cravos 
suco de um limão 
2 c. d. chá canela em pó 
½ x. de nozes picadas 
 
Xarope: Coloque água, açúcar, canela, cravos e suco de limão na panela e os ferva em alta temperatura 2-3 minutos até o açúcar dissolver. Deixe esfriar. 
 
Coloque o azeite na outra panela. Adicione pouco pouco a semolina misturando com uma colher de madeira. Continue a cozinhar a mistura até ficar bronzeada. Tem que misturar continuamente para não grudar no fundo da panela. Quando a mistura estiver bronzeada, coloque o xarope, canela em pó e nozes. Continue a misturar até a mistura começar secar e craquelar sem secar completamente.  Coloque a massa numa fôrma. Deixe esfriar e depois está pronta para comer. 
 
Observações: 
- Na Grécia pode se achar dois tipos de semolina, fina e grossa. Aqui no supermercado achei só a fina. Acho que na Grécia a semolina grossa seja usada mais para Halva. Para mim, não faz tanta diferença. A semolina grossa só tem uma textura mais interessante. 
 
- Se quiser poderá trocar nozes por amêndoas torradas e suco de limão por suco de laranja. 
 

Wednesday, 18 February 2015

Pão de saúde

Eu amo pão quando é bom. Eu gosto muito da padaria Francesa chamada Boulangerie Guerin em Copacabana (Ns Sra de Copacabana 920). Eles têm uma variedade de pães artesanais com nozes, sementes e cereais diferentes. São um pouco caros mas acho que vale a pena porque o pão deles dura um bom tempo ao contrário do pão Francês de supermercado que fica horrível só algumas horas depois de sair do forno. Eles também têm alguns doces realmente frescos e muito deliciosos. Recomendo!

Ultimamente eu estou tentando variar um pouco minha alimentação. Estou tentando introduzir mais grãos diferentes invés de comer só trigo. Por isso estou experimentando grãos sem glúten como trigo sarraceno, painço, aveia etc. Não tenho problema com glúten e não estou tentando evitá-lo inteiramente. Meu objetivo principal é só trazer mais variedade.  
Algum tempo atrás todo mundo na Finlândia estava muito animado sobre uma receita de pão sem glúten. Eu a encontrei a primeira vez num blog chamado Kiitos Hyvää (em finlandês).  Originalmente a receita era de um blog chamada My New Roots (em inglês).  Esse blog é muito legal. Tem muitas receitas de comida saudável, na maioria vegetariana. Se você buscar inspiração para sua alimentação, valerá a pena visitar.

Eu já assei algumas versões desse pão e gostei muito. Aqui tem minha última interpretação da receita.

Versão numero 10.000 de “Pão que Muda Vida” de My New Roots

400ml de            aveia
100ml de            linhaça
250ml de            mistura de sementes (girassol e abóbora etc), nozes, amêndoas, amendoíns, avelãs etc.
50ml de              frutas secas (passas, ameixas, damascos e tâmaras etc).
2 c.d sopa de      sementes de chia
3 c.d sopa de      pó de psyllum
1 c.d chá de        sal
1 c.d sopa           maple syrup/ mel
3 c.d sopa de      azeite de oliva
350ml de            água

Misture todos os ingredientes em uma bacia. Coloque papel manteiga numa fôrma retangular. Coloque a mistura na fôrma. Deixe na geladeira no mínimo por duas horas para não quebrar depois de assar.

Esquente o forno por 180-220C (gas). Coloque o pão no forno e deixe assar por 30 minutos. Depois tire o pão da fôrma, inverta acima dum grade e deixe para assar por mais 30-40 minutos até ficar pronto. Pão está pronto quando tiver um som vazio quando você batê-lo. Deixe esfriar e depois corte em pedaços.

Para servir:
Vai estar muito gostoso com um pouco de manteiga/ queijo minas / Filadélphia e pepino japonês. Esse pão também fica ótimo com salmão cru que eu postei aqui algum tempo atrás.

Observações:
- Na receita original não tem frutas secas mas eu gosto de pão um pouquinho doce. Pode evitar, se quiser, e pode substituir com mais nozes, sementes, aveia etc.

-Pó de psyllum é um ingrediente que faz o pão ficar na forma. Pode achá-lo nas lojas de produtos naturais.

- Nas receitas originais eles usam óleo de coco ou manteiga derretida mas eu prefiro usar azeite de oliva. Mensagem política: Suporte a economia grega e compre um azeite de lá!

- Sou muito fã de fogão a gás mas odeio forno a gás. Acho que é muito difícil cozinhar com forno a gás. Para assar é ainda pior. De acordo com minha experiência é muito fácil queimar inferior do assado e em cima fica tudo pálido sem pegar cor bonita. Nós temos um fogão com grill e isso ajuda um pouco para bronzear as coisas em cima.

Sunday, 8 February 2015

Polvo com mezzi rigatoni

Polvo é um dos ingredientes que eu amo. Cada vez que tenho a oportunidade de comer polvo, eu não dispenso. Aprendi a comer polvo na Grécia  O primeiro prato que eu comi foi este mesmo, polvo com mezzi rigatoni ou “oktapodi me kofto makaroni” (em grego). Eu lembro que eu senti um pouco de nojo por causa das ventosas, mas com o tempo aprendi a apreciar a comida com todos os detalhes dela.
Eu já cozinhei essa comida algumas vezes. Originalmente minha cunhada me ensinou como cozinhá-la. Eu tinha escrito a receita num caderno onde tenho receitas coletadas durante muitos anos mas agora não tenho idéia onde está. Busquei na Internet e achei uma receita bem parecida com essa que fazia antigamente. A única diferença é que eles usam vinho branco mas na receita da minha cunhada era com vinho tinto. Decidi que é melhor seguir a receita da familia.

1kg        polvo (congealdo ou fresco)
              azeite de oliva
1            cebola roxo grande
½ xícara/ 120ml vinho tinto          
1            lata de tomate pelado (sem temperos, acuçar, sal etc)
1            ramo de salsa fresca
500gr     mezzi rigatoni
3 xícaras/ 700ml agua
2-3         folhas de louro
sal & pimenta do reino


Peça ao peixeiro para limpar o polvo para você. Antes de começar a cozinhar o polvo, enxague-o bem. Depois coloque na panela com água e cozinhe até o polvo ficar macio. Remova-o da água e corte-o em pedaços.

Pique a cebola em pedaços pequenos. Coloque azeite de oliva na panela (seca) e refogue a cebola até ficar transparente.  Adicione os pedaços de polvo e cozinhe um pouco mais. Derrame o vinho tinto na panela e deixe um tempinho para o álcool evaporar.

Depois adicione tomate, água, macarrão, salsa, folhas de louro e sal & pimenta. Baixe a temperatura um pouco para que o macarrão não grude no fundo da panela. Misture a comida frequentemente enquanto o macarrão cozinha. Se precisar pode adicionar mais água. Quando o macarrão estiver macio a comida está pronta.

Monday, 26 January 2015

Camadas da história

Nossa casa ainda está mais ou menos em construção e ainda vai continuar por muito tempo. Nós  recebemos um pedreiro que fez algumas reparos em casa.  Dois reparos com maior impacto foram a limpeza de uma janela na sala de estar que foi pintada (O que eles estavam pensando quando pintaram a janela!? Não posso entender.) e a adição de um trilho de cortina em nosso quarto. 

Eu sou muito fã de cortinas e almofadas de decoração. Para colocar um trilho de cortina é uma coisa muito simples mas tem efeito bem grande. A última vez que eu visitei a Grécia, eu trouxe algumas cortinas que nós tinhamos em nossa casa quando moravamos lá. As cortinas são um pouco transparentes e durante a manhã quando temos sol ao lado do quarto as cortinas trazem uma luz bem linda. O quarto parece agora totalmente diferente, muito mais aconchegante. 
As cortinas são as primeiras que minha mãe comprou para a primeira casa dos meus pais. Isso foi no ínicio dos anos 70. A estampa delas é bem retrô, mas acho que ainda sejam, de algum jeito, atuais. Minha mãe falou que as cortinas foram desenhadas por um designer americano (dos Estados Unidos) chamado Howard Smith que até hoje mora e trabalha na Finlândia.

Eu tenho uma amiga na Finlândia que tem um estilo de decorar muito legal. Ela tem muito talento para achar coisas antigas maravilhosas dos mercados de pulgas e combiná-las com pedaços modernos. A casa dela e muito individual e interessante. Ela é minha inspiração. Ela me falou um vez que leu um artigo que dizia que uma casa tem que ter camadas. Essa pessoa quer dizer que uma casa deve ter coisas novas e coisas antigas mostrando a passagem de tempo e a história das pessoas que moram lá. Eu concordo 100% com essa idéia e por isso se tornou meu lema de decoração.
Colocar essas cortinas em nosso apartamento aqui no Rio trouxe novas camadas antigas na mistura atual. Cada vez que eu olho as cortinas eu lembro dos meus pais na Finlândia e dos bons tempos em nossa primeira casa em Atenas. São memórias boas para trazer aqui.